Publicações Acadêmicas

Brasília - DF, 14 de fevereiro de 2019.

Antioxidante, vitamina C, DCV, suplementação, prevenção

Autores: Lena Al‐Khudairy; Nadine Flowers; Rebecca Wheelhouse; Obadah Ghannam; Louise Hartley; Saverio Stranges; Karen Rees. 16 de março de2017.

Division of Health Sciences, Warwick Medical School, University of Warwick, Coventry, US E-mail: karen.rees@warwick.ac.uk

Suplementação de vitamina C para prevenção primária de doença cardiovascular

Introdução


A vitamina C é um micronutriente essencial e um potente antioxidante. Vários estudos observacionais mostraram uma relação inversa entre a ingestão de vitamina C e eventos cardiovasculares maiores e fatores de risco para doença cardiovascular (DCV). Os resultados provenientes de ensaios clínicos são menos consistentes.

Objetivos


Avaliar a efetividade da suplementação de vitamina C isolada para a prevenção primária de DCV.

Métodos de busca


Fizemos buscas nas seguintes bases de dados, em 11 de maio de 2016: the Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL) na Biblioteca Cochrane, MEDLINE (Ovid); Embase Classic e Embase (Ovid); Web of Science Core Collection (Thomson Reuters); Database of Abstracts of Reviews of Effects (DARE); Health Technology Assessment Database e na Health Economics Evaluations Database na Biblioteca Cochrane. Fizemos buscas em plataformas de registros de ensaios clínicos em 13 de abril de 2016. Também analisamos as listas de referências de revisões para 

identificar mais estudos. Não houve restrição de idiomas.

 

Critério de seleção


Incluímos ensaios clínicos randomizados que testaram a suplementação de vitamina C isolada por um período de pelo menos três meses em adultos saudáveis ou com risco moderado a alto de DCV. Os grupos de comparação receberam placebo ou nenhuma intervenção. Os desfechos de interesse foram os eventos clínicos de DCV e os fatores de risco para DCV.

Coleta dos dados e análises


Dois revisores, trabalhando de forma independente, selecionaram os estudos, extraíram os dados e avaliaram o risco de viés.

Principais resultados


Incluímos oito estudos, envolvendo um total de 15.445 participantes. O maior estudo tinha 14.641 participantes e apresentava dados sobre nossos desfechos primários. Sete estudos apresentavam dados sobre fatores de risco para DCV. Três dos oito estudos tinham alto risco de viés devido a problemas de relato ou atrito. A maioria dos domínios dos outros estudos tinham risco de viés incerto. O maior estudo tinha baixo risco de viés na maioria dos domínios.

No Physicians Health Study, ao final de oito anos, não houve diferença entre os grupos que receberam vitamina C versus placebo quanto ao risco de eventos cardiovasculares maiores: razão de incidência (HR) 0,99, intervalo de confiança (IC) de 95% 0,89 a 1,10, 1 estudo, 14.641 participantes, evidência de baixa qualidade. Os resultados foram semelhantes para mortalidade por qualquer causa (HR 1,07, IC 95% 0,97 a 1,18, 1 estudo, 14.641 participantes, evidência de 

qualidade muito baixa), infarto cardíaco fatal ou não fatal (HR 1,04, IC 95% 0,87 a 1,24, 1 estudo, 14.641 participantes, evidência de baixa qualidade), derrame fatal ou não fatal (HR 0,89, IC 95% 0,74 a 1,07, 1 estudo, 14.641 participantes, evidência de baixa qualidade), mortalidade por DCV (HR 1,02, IC 95% 0,85 a 1,22, 1 estudo, 14.641 participantes, evidência de qualidade muito baixa), cirurgia coronariana de bypass/angioplastia coronariana auto‐relatada (HR 0,96, IC 95% 0,86 a 1,07, 1 estudo, 14.641 participantes, evidência de baixa qualidade) e angina auto‐relatada (HR 0,93, IC 95% 0,84 a 1,03, 1 estudo, 14.641 participantes, evidência de baixa qualidade).

A qualidade da evidência para a maioria dos desfechos foi de baixa qualidade devido à imprecisão e evidência indireta. Para mortalidade por qualquer causa e mortalidade por DCV, a qualidade da evidência foi muito baixa devido a evidência indireta e inconsistência.

Quatro estudos não citavam suas fontes de financiamento, dois relataram ter recebido apoio financeiro de fontes não comerciais e dois declararam ter recebido apoio financeiro de fontes comerciais e não comerciais.

Conclusão dos autores


Na atualidade, não existe evidência sugerindo que a suplementação de vitamina C reduza o risco de DCV em pessoas saudáveis ou naquelas com alto risco para DCV. Porém, a evidência existente é baseada em apenas um ensaio clínico que envolveu somente homens de meia idade ou mais velhos, que eram médicos, e viviam nos EUA. Existe evidência de qualidade baixa ou muito baixa sobre os efeitos da suplementação de vitamina C sobre os fatores de risco para DCV.

Fonte: Cohrane Library

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